Morre padre belga José Comblin

José Maria Mayrink, de O Estado de S. Paulo
Morreu na manhã de domingo, 27 de março, em Salvador o padre belga José Comblin, 88 anos, um dos mais importantes e polêmicos teóricos da Teologia da Libertação, e autor de vários livros, entre os quais A Teologia da Enxada, sobre a vivência cristã e teológica nas comunidades rurais.
Padre Comblin estava em tratamento médico na capital baiana. Foi encontrado morto, sentado, em seu quarto, quando era esperado para a oração da manhã e não apareceu na capela. Ele tinha problemas cardíacos e usava marcapasso. Apesar da doença, parecia bem disposto e estava trabalhando.
Nascido em Bruxelas, em 22 de março de 1923, padre Comblin veio para o Brasil em 1958, atendendo a apelo do papa Pio XII, que no documento Fidei donum (O Dom da Fé) pedia missionários voluntários para regiões com falta de sacerdotes.
Depois de trabalhar em Campinas e, em seguida, passar uma temporada no Chile, foi para Pernambuco, em 1964, quando d. Helder Câmara foi nomeado arcebispo de Olinda e Recife. Perseguido pelo regime militar, foi detido e deportado, em 1972, ao desembarcar no aeroporto de volta de uma viagem à Europa.
Padre Comblin trabalhou posteriormente com d. José Maria Pires, então arcebispo de João Pessoa. Desde o ano passado, morava na cidade de Barra, na Bahia, com o bispo da diocese, d. Luiz Cappio, conhecido nacional e internacionalmente por feito greve de fome em protesto contra as obras de transposição do Rio São Francisco.
De acordo com vontade manifestada aos amigos, padre Comblin será sepultado no Santuário do Padre Ibiapina, no municio de Solânea. Segundo o reitor do santuário, padre José Floren, o teólogo visitou Solânea há uma semana e plantou uma muda de pau-brasil junto à igreja, dizendo que seria uma árvore para fazer sombra no seu túmulo.