A Páscoa se renova

A Páscoa não é só a maior comemoração do ano cristão, mas ela celebra festivamente o maior acontecimento que sustenta a nossa fé no Senhor Jesus, comprovando definitivamente a sua divindade. Vale a pena repeti-la cada ano, depois de 40 dias de preparação, que denominamos Quaresma. Sendo esta um tempo penitencial, deveria realmente ser para toda a Igreja uma oportunidade de grande crescimento espiritual, se de fato todos os cristãos a assumissem. Infelizmente, acontece que muitos, por deficiência de preparação catequética ou mesmo por desleixo espiritual, essa melhora não acontece. Muitos nem sequer fazem a comunhão pascal, prescrita pela lei da Igreja. Assim, em vez de uma renovação de vida, acrescenta-se à vida pecaminosa mais um pecado mortal, se consciente.

Entretanto, não se pode ser pessimista, porque grande parte dos fiéis da Igreja ainda a aproveita, e realmente a festa tem sua razão de ser, porque celebra algo que com certeza aconteceu: a renovação da alma. Assim, para o sacerdote, que vive de fato a sua função eclesiástica de pároco, uma grande alegria o invade na alma, e a festa tem o seu valor inquestionável. Também para ele realiza-se uma autêntica ressurreição.

Pároco aposentado, depois de 25 anos de paroquiato, muitas vezes a saudade do passado torna-se forte demais, lembrando tudo que aconteceu com muitos ou pelo menos diversos fiéis que de fato ressuscitaram, às vezes de uma longa demora num estado de vida que amargou o pecado, às vezes sem tanta razão de ser. O segredo confessional impede de se contar detalhes e a alegria se limita a um transbordamento que não passa de um colóquio com o próprio Jesus ressuscitado no sacrário em uma ocasião de visita amiga que se realize por costume. Lindo demais é quando há perseverança e aquela alma passa a ser de Deus, convivendo com Ele a sua nova vida. É uma vitória que passa a se efetuar numa alegria indescritível, que não tem palavras humanas que possam interpretá-las. É numa ocasião dessas que a fé sacerdotal se renova, aumenta e junto com ela o amor a esse Senhor que tomou conta total de sua vida de consagrado. É ainda num momento desses que o ministro de Deus pode dizer, até mesmo para uma criança ou jovem com toda a sinceridade de seu coração: Vale a pena ser padre!

Não sou mais pároco há cinco anos, mas ainda não deixei de ocupar a Semana Santa com minha dedicação a uma comunidade, mesmo que não seja ainda paróquia. Com o meu trabalho, que às vezes chega a ser cansativo pelas numerosas confissões, continuo vibrando, com a mais santa felicidade. Aqui estou!

Mons. Aderson Neder, neder@arquidiocesedebelem.com.br