Chamados, enviados e consagrados

Conversa com meu povo
Dom Alberto Taveira Corrêa, Arcebispo Metropolitano de Belém do Pará

"Depois veio até mim um dos sete anjos das sete taças cheias com as últimas pragas. Ele falou comigo e disse: "Vem! Vou mostrar-te a noiva, a esposa do Cordeiro"... Mostrou-me a cidade santa, Jerusalém, descendo do céu, de junto de Deus, brilhando com a glória de Deus... Estava cercada por uma muralha grande e alta, com doze portas. Sobre as portas estavam doze anjos, e nas portas estavam escritos os nomes das doze tribos de Israel. Havia três portas do lado do oriente, três portas do lado norte, três portas do lado sul e três portas do lado do ocidente. A muralha da cidade tinha doze alicerces, e sobre eles estavam escritos os nomes dos doze apóstolos do Cordeiro" (Ap 21, 9-14). A Igreja de Cristo, edificada sobre o fundamento dos Apóstolos subsiste e se realiza no mundo, à espera da vinda do Senhor.

A tarefa confiada aos Apóstolos Pedro e Paulo e aos outros que com eles foram chamados se estende nos séculos afora, para que a boa nova do Evangelho chegue aos homens e mulheres de todas as raças e línguas. Nos dias que correm, são oferecidas como sinais da ação de Deus pessoas que já alcançaram a meta e outras ainda peregrinas nesta terra.

São Pedro e São Paulo, colunas da verdade, foram chamados por Deus e serviram por diferentes meios ao mesmo Senhor. Por Ele foram consagrados com a unção do Espírito. É a certeza manifestada por Paulo: "Ele, que tinha preparado Pedro para o apostolado entre os judeus, preparou também a mim para o apostolado entre os pagãos. Reconhecendo a graça que me foi dada, Tiago, Cefas e João, considerados as colunas da igreja, deram-nos a mão, a mim e a Barnabé, como sinal de nossa comunhão recíproca. Ele me separou desde o ventre materno e me chamou por sua graça, agradou revelar-me o seu Filho, para que eu o anunciasse aos pagãos" (Cf. Gl 2, 8-9. 1,15-16). Chamado, consagração e envio, ato livre da vontade de Deus, que quer marcar com o selo do Espírito Santo. Rocha firme em Pedro e Missão em Paulo, é a mesma Igreja de Cristo!

No dia vinte e nove de junho o Papa Bento XVI completou sessenta anos de ordenação sacerdotal. A Igreja inteira louva a Deus pelo dom de sua vocação e o testemunho da unção que lhe foi conferida, multiplicando-se, graça sobre graça, até chegar ao sólio de Pedro, como seu legítimo sucessor em nosso tempo. Damos graças a Deus pelo seu ministério! Chamado, consagrado e enviado por Deus!

Em nossa terra, realiza-se também o mesmo mistério da graça de Deus que chama, consagra e envia. Na primeira semana do mês de julho serão ordenados dez novos sacerdotes no dia seis, em solene concelebração na Sé Catedral. Cada um deles com sua história vocacional marcada pela gratuidade do amor de Deus.

Com São Gregório Nazianzeno, ainda jovem sacerdote, tomava consciência do ministério recebido: "Temos de começar por nos purificar, antes de purificarmos os outros: temos de ser instruídos, para podermos instruir: temos de nos tornar luz para iluminar, de nos aproximar de Deus para podermos aproximar dele os outros, ser santificados para santificar, conduzir pela mão e aconselhar com inteligência". "Eu sei de quem somos ministros, a que nível nos encontramos e para onde nos dirigimos. Conheço as alturas de Deus e a fraqueza do homem, mas também a sua força". Quem é, pois, o sacerdote? Ele é "o defensor da verdade, eleva-se com os anjos, glorifica com os arcanjos, faz subir ao altar do Alto as vítimas dos sacrifícios, participa no sacerdócio de Cristo, remodela a criatura, restaura nela a imagem de Deus, recria-a para o mundo do Alto e, para dizer o que há de mais sublime, é divinizado e diviniza" (Catecismo da Igreja Católica, número 1589). Nossos novos padres não sejam menos do que isso, chamados, consagrados e enviados!

Nos dias seguintes, outras ordenações: dois Diáconos permanentes, um na Paróquia da Trindade e outro na Basílica de Nazaré. No domingo que se segue, terei ainda a alegria de ordenar mais três diáconos destinados ao Sacerdócio, pertencentes à Comunidade Obra de Maria, na cidade de Recife.

Para a glória de Deus, devo também dar graças por ter sido ordenado Bispo no dia seis de julho, há exatos vinte anos! Sei que "entre os vários ministérios, que na Igreja se exercem desde os primeiros tempos, o principal é o daqueles que, constituídos no episcopado através de uma sucessão que remonta às origens, são os transmissores da semente apostólica" (LG 20).

Confio-me às orações do povo de Deus, para que chamado e consagrado por Deus, tenha sempre a força para exercer o serviço que aqui me foi confiado, transmitindo tal semente apostólica com ardor e entusiasmo.