Marcelo Candia é Venerável

Terça-feira, 8 de julho, o Papa recebeu o Cardeal Angelo Amato, Prefeito da Congregação das Causas dos Santos e autorizou a promulgação de alguns decretos. Dentre eles, consta a declaração das virtudes heróicas do Servo de Deus Marcelo Candia,leigo italiano, nascido em Portici a 27 de Julho de 1916 e falecido em 1983.
No dia 13 de agosto de 1983, morreu em Milão, na Itália, Marcelo Candia, um dos mais humanitário dos industriais e aparentemente o mais louco entre eles, pois em 1964, se desfez da sua indústria química, e doou os seus bens que restaram inclusive todo o tempo de sua vida aos pobres da Amazônia sem pedir nada em troca. Apenas que o deixassem morar com eles. Primeiramente construiu para os necessitados o Hospital São Camilo, no Amapá, transferindo-o posteriormente aos camilianos. Viajou a esmo até o dia em que se deu conta que estava em Marituba mais precisamente na colônia-leprosário de Marituba, vivendo como se fosse um velho morador compartilhando a vida que não era mais dele, com os hansenianos, visitou a Europa por várias vezes para angariar fundos que ele direcionava para os leprosos, seus companheiros do leprosário. Os fundos que eram angariados através da Europa se tornaram mais necessário quando o governo desativou a cidade-leprosário que depois de desativada e sem que fosse transferida caiu no colo do homem que estava mais próximo do problema: Marcelo Candia que fez questão de trazer para sua companhia para ajudá-lo na árdua tarefa dom Aristides Pirovano, ex-bispo de Amapá, e alguns padres e irmãs.
Provocado por sua dedicação com os desfavorecidos pela sorte a Fundação Marcelo Candia, mantém obras sociais em todo o Brasil. O homem modelo não deixou nada escrito, deixou alguns testemunhos da vida que levava. A mesma vida que era voltada para a caridade, tamanha caridade fez com que ele se despojasse de todos os seus bens materiais e seguisse o exemplo de Cristo, servindo aos necessitados: o exemplo de um santo moderno que fez da riqueza um meio para sua santidade. Ao concluir o processo diocesano para a beatificação de Marcelo (1991), o então cardeal Martini, de Milão, sintetizou sua vida em poucas palavras:
"Marcelo Candia era o tipo do homem perfeito que todos gostariam de lhe dar bom dia apertando a sua mão honesta, corajosa que se esmerou para levar ao ponto mais distante a palavra de Deus que recomendava “Se queres ser perfeito, vai vender teus bens e dá aos pobres, e terás um tesouro no céu, e vem, sê meu seguidor” (Mt 19:21). Foi isto que ele fez! Vendeu tudo que tinha e foi cuidar e viver com os pobres do leprosário.
Dizia: "Quando vim para a Amazônia, pensava que o dom maior que podia fazer aos pobres era o meu dinheiro e as minhas capacidades profissionais, mas descobri que eles eram o verdadeiro tesouro. Não fui eu que dei algo para eles, foram eles que me deram".
Marcelo tinha por norma dizer para quem quisesse ouvir. “Quem recebeu mais do que precisa, precisa doar muito mais para os pobres, para que eles possam viver com dignidade o papel de filhos de Deus!” Os que aprenderam a admirar este homem que vivia na pele o exercício da caridade praticamente todos os dias da sua vida acompanham o desenrolar de  um processo de beatificação que avança a cada dia que passa, para satisfação dos que estão diretamente interessados.
Louvado seja Deus pela vida e o exemplo deste leigo que se dou por Marituba e pelos pobres da Amazônia brasileira.
Fonte: http://www.news.va

OUTRAS INFORMAÇÕES

Venerável Marcello Candia

nasc. 27/jul/1916 - 31/agos/1983
leigo

A família Candia era originária de Lachiarella, ao sul de Milão, farmacêuticos desde muitas gerações. Embora pertencente à burguesia milanesa, era retraída e dedicada aos compromissos familiares, ao estudo e ao trabalho, mais do que à vida mundana. Camillo e Luigia casaram-se em 1911, e tiveram 5 filhos. Marcello nasceu em 27 de julho de 1916, em Nápoles, pois era lá que seus pais moravam naquele ano, quando o segundo estabelecimento da indústria química Candia estava sendo ampliado. Os filhos foram educados na severidade, no amor e na alegria. O pai não era católico praticante, mas totalmente dedicado à família e ao trabalho. Luigia encarregava-se da educação religiosa dos filhos, ensinando-os a rezar e, sobretudo, dando o bom exemplo de estarem sempre atentos às necessidades do próximo. Marcello sempre acompanhava a mãe nas visitas aos pobres assistidos pelas associações religiosas de Milão. Desde os 12 anos ele ajudava o capuchinho Servo de Deus Frei Cecílio Cortinovis, com fama de santo, na distribuição da sopa aos indigentes, que muito o inspirou a doar-se totalmente na caridade. Através de uma impressionante fotografia colocada no recinto onde era dada a sopa, conheceu a figura do Servo de Deus Frei Daniel de Samarate, falecido de hanseníase no Brasil.
A morte da mãe, por pneumonia, em 1933, foi para o jovem de 17 anos uma verdadeira tragédia. Esse grande sofrimento foi ocasião para um maior amadurecimento humano e espiritual. Orientava-se com o capuchinho Frei Genésio, conhecido diretor espiritual de Milão, que o guiou para a oração, a mortificação e a caridade.       
Dedicado aos estudos, laureou-se em Química em 1939 e em Ciências Biológicas em 1943, enquanto preparava-se paulatinamente para assumir a direção da indústria paterna. Sua atividade era intensa e sempre ligada a obras de caridade mais diversas.
Na segunda Guerra Mundial teve que prestar serviço militar por dois anos em Piacenza, onde era tenente, especialista em explosivos. Terminada a guerra, Marcello dedicou-se incansavelmente com inúmeros voluntários milaneses nas urgentes obras assistenciais do pós-guerra. Sua atuação foi decisiva para o funcionamento da “Vila da Mãe e da Criança”, em Milão.
Uma das características de Marcello era a capacidade de levar adiante, ao mesmo tempo, pelo menos três atividades que o absorviam totalmente, cada uma das quais teria sido suficiente para esgotar o tempo e as energias de um homem comum. Sua vida era extremamente agitada. Em 1946 assumiu a direção das indústrias. Participou do surgimento de várias atividades leigas dedicadas às missões católicas fora da Itália, em especial a fundação da revista “A missão” e de um colégio para estudantes do terceiro mundo que iam estudar na Itália. Dedicou-se à “União Médico-Missinonária Italiana”, que depois mudou o nome para “Associação de Leigos na Ajuda às Missões”. Marcello era um líder, um grande realizador, com idéias claras na cabeça, mas também humilde, que sabia voltar atrás quando errava, e sempre com entusiasmo.
Sua grande vocação eram as missões, e queria dedicar-se pessoalmente a elas, não somente enviando recursos e ajudas financeiras. Inspirado no exemplo dos amigos, o capuchinho Frei Alberto Beretta[1], e o missionário do PIME, Dom Aristides Pirovano, bispo prelado de Macapá, AP, decidiu partir para esta cidade, para fundar um hospital dedicado aos pobres da região[2].
Em 1955 a fábrica de Marcello foi totalmente destruída por uma explosão. Ele perdeu grande parte de sua riqueza e teve que adiar seus planos de partir para a Amazônia. Após a reconstrução e a venda da empresa, chegou a Macapá, em 1965. Nessa mesma época, para tristeza de Marcello, Dom Aristides foi nomeado superior geral do PIME (Pontifício Instituto das Missões Exteriores), em Roma, tendo que deixar a prelazia. Com o lucro da venda da indústria, construiu para os pobres o Hospital São Camilo, e financiou inúmeras atividades assistenciais em todo o Brasil. Após o retorno de Dom Aristides ao Brasil, em 1977, confiou o hospital aos cuidados dos padres camilianos e passou a  viver na colônia-leprosário de Marituba, na foz do Amazonas, partilhando sua vida com os hansenianos, ainda mais quando o governo desativou a cidade-leprosário que ficou praticamente a seu cargo, de Dom Aristides, e de padres e irmãs. Desde a juventude alimentava o sonho de ajudar aos leprosos. Quando se fixou em Marituba, dividia sua vida com os leprosos, sem nenhuma separação ou restrição em relação aos doentes e gostava de conviver com eles. Os leprosos o tinham como santo, pois viam que fazia tudo por amor a Deus, não procurava coisas para si, mas estava sempre se preocupando com todos. Em 1980, o Papa João Paulo II visitou o leprosário, abraçou os leprosos um por um, e chamando a Marcello de entre eles, deu-lhe um beijo na testa.
Em 18 anos de vida na Amazônia fundou e financiou 14 obras de caridade, de educação, de oração: dois Carmelos de clausura, um grande hospital, um leprosário, uma escola para enfermeiros, um centro social para hansenianos, uma casa para deficentes físicos, etc. Marcello, como homem e empresário moderno, não era um paternalista, mas administrava cuidadosamente seu dinheiro e as grandes contribuições que recebia de amigos. Era generoso, e não media esforços e recursos diante da necessidade. Queria que tudo funcionasse com o máximo de eficiência, e considerava-se um empresário da caridade. Todos os anos, durante os meses de inverno europeu, visitava a Itália em uma extenuante maratona em busca de doações e recursos para as obras no Brasil, e em atividades de animação missionária. Recebeu prêmios de reconhecimento internacional. Essas obras assistenciais continuam sendo atendidas pela “Fundação Marcelo Candia”.
Seu trabalho, porém, não foi um mar de rosas. Sensível e dedicado em tudo o que fazia, sofreu duríssimas tribulações e incompreensões desde o início, e só perseverou porque fazia tudo por amor a Deus. Sua visão moderna e dinâmica contrastava com o ritmo habitual do trabalho missionário, não só no Brasil equatorial, mas também na Itália, pois muitos não o compreendiam. Doou-se totalmente, sem descanso, até mesmo quando já estava próximo do fim, vitimado por um câncer, ao 67 anos de idade. Seus últimos dias de vida se passaram na clínica dos camilianos, em Milão, na Itália, falecendo na tarde do dia 31 de agosto de 1983, assistido entre outros pelo então arcebispo, Cardeal Carlo Maria Martini.

Oração
Senhor do universo e luz dos nossos dias,
mantende viva e clara a imagem de um amigo que nos ensinou a ver nos pobres, nos hansenianos e em todos os necessitados os irmãos de Cristo, filhos do mesmo Pai.
Hoje nós apreciamos o Doutor marcello Candia por sua coragem na ação, sua perseverança na dedicação, sua discrição no testemunho e sua apaixonada devoção à Cruz.
Senhor da nossa esperança, vos pedimos com humilde insistência podermos imitar o seu exemplo em seguir Vosso plano de Amor.
Senhor do mistério e da confiança: concedei-nos podermos um dia chamar de santo o Doutor Marcello Candia. Amém.


Dies Natalis: 31 de agosto
Restos Mortais: Marcello queria ser sepultado no jardim do Carmelo de Macapá, mas por ter falecido em Milão, Itália, lá foi sepultado, no cemitério de Chiaravalle; foi trasladado em 6/abril/2006 para a Igreja paroquial dos Santos Anjos da Guarda, na mesma cidade (endereço da Fundação Dr. M. Candia, abaixo).
Causa de canonização: sediada na Arquidiocese de Milão, Itália. Ator: Fundação Doutor Marcello Candia.
Início do Processo Informativo diocesano em 12/jan/1991 e encerramento em 8/fev/1994. Publicação da POSITIO em 15/jul/1998; decreto da Heroicidade das Virtudes em 8/julho/2014. Postulador: Pe. Piero Gheddo (Pontificio Instituto Missioni Estere - Via Guerazzi, 11 - 00152  Roma – Itália; gheddopiero@libero.it).
Bibliografia sobre o Servo de Deus Marcello Candia:
Piero GHEDDO, Marcello Candia, o empresário dos pobres. Florianópolis: Publicação de “Missão Jovem” (PIME), 2a.ed.. (Pedidos à “Missão Jovem”, endereço PIME, abaixo)
Sites oficiais:
Fundação Candia (em italiano): www.fondazionecandia.org (ver biografia e fotos)
Para comunicar graças por intercessão de Marcello Candia e outras informações:
Na Itália:
Fondazione Doutor Marcello Candia
Via Pietro Colletta, 21
 20135 - Milano -  Itália
No Brasil:
Irmãs Carmelitas (Ir. Nazarena)
Carmelo de Macapá
Av. Mãe Luzia, 1335
CxP 9968900-110  -  Macapá  -  AP
Tel.: (96) 3223-4674



[1] O médico e sacerdote capuchinho Frei Alberto Beretta (B.92) construiu o hospital de Grajaú, no Maranhão, em meio a imensas dificuldades e totalmente voltado ao atendimento dos desassistidos. Ele é o irmão de Santa Gianna Beretta Molla, médica italiana que desejava ser missionária leiga nesse mesmo hospital, mas que teve que abandonar a idéia por causa da saúde. O milagre válido para a beatificação de Santa Gianna ocorreu nesse hospital (sobre santa Gianna e os milagres da beatificação e canonização, ver  p. 183s.).
[2] Trabalharam na cidade de Macapá os Padres da Sagrada Família, inclusive Pe. Júlio Maria de Lombaerde (B.75), que ali fundaria uma congregação feminina, transferida depois para Pinheiro, PA.

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