DESPERTAR UMA CULTURA VOCACIONAL NA DELEGAÇÃO

É um dever de todo cristão promover e animar todas as vocações. E falar de “vocações” não significa falar dos estados de vida específica. O SAV é muito mais amplo e exigente, implica percorrer um permanente itinerário de seguimento a Jesus Cristo que começa no chamado à vida e no batismo de todo cristão. O SAV significa ir ao encontro, acolher, cultivar com paciência, meditar à luz da Palavra, acompanhar, discernir, optar e deixar-se seduzir. Tudo isso exige uma clara consciência do ser discípulos-missionários. Chamados e enviados por Cristo a fim de chamar para juntos segui-lo mais de perto.

“O cuidado que a Igreja deve ter com as vocações não é uma simples parte de uma pastoral global, mas uma dimensão conatural e essencial de toda a evangelização” (cf. PDV, 34). O sentido da animação vocacional é um dever de toda a Delegação, de todos os religiosos, a qual, pelo testemunho claramente vivido se torna mediação divina. Segundo esta perspectiva, a Delegação, as comunidades e todas as atividades devem comprometer-se com o serviço de animação vocacional, mesmo que haja uma Equipe Vocacional Paroquial (EVP) ou alguém liberado para esse serviço.

Por vezes a animação vocacional está restrita apenas a alguns momentos fortes ou delegada a alguns. Os responsáveis pela animação vocacional não conseguem sozinhos visto a amplitude da questão vocacional. Para se criar uma consciência vocacional cada um tem que desenvolver uma ação vocacional criativa, permanente, cativante que perpasse toda a Delegação. “Onde há vida, fervor, paixão de levar Cristo aos outros, surgem vocações genuínas” (Papa Francisco). Desta forma, redescobrimos o valor de se cultivar e fortalecer uma “cultura vocacional”. Portanto, uma “Delegação toda vocacionalizada” será onde todos da Família Calabriana terão o prazer de participar e colaborar com entusiasmo e alegria nos vários serviços e ministérios. Uma comunidade religiosa que tem a consciência vocacional do chamado divino gera testemunho de vida, amplia a ação pastoral, atrai e cultiva as vocações para a vida consagrada e sacerdotal.

Fazer animação vocacional supõe, antes de tudo, criar uma “Cultura Vocacional” vivida por todos e todas. O testemunho alegre de seguir a Jesus Cristo na Espiritualidade Calabriana desperta nos jovens de hoje o mesmo anseio dos primeiros que deixaram tudo para seguir com confiança e coragem o Mestre Jesus.

“Os Pobres Servos, pessoalmente, sintam como seu o compromisso específico de descobrir e valorizar os sinais do chamado de Deus dentro da Família Calabriana, cientes de que do seu testemunho depende em grande parte a “chama” da vocação. Ao mesmo tempo, em nível comunitário e de Congregação, sejam colocadas em prática iniciativas específicas que favoreçam a sensibilização para a vocação religiosa, de maneira que se desenvolva uma autêntica cultura vocacional” (XI Capítulo Geral).

Lancemos fora todo conformismo e pessimismo vocacional da sensação de que não tem mais vocações. Cada um se sinta responsável em criar um clima vocacional. Os primeiros religiosos Pobres Servos que chegaram ao Brasil logo começaram pelo acompanhamento dos jovens que queriam fazer parte da Obra. E saíram pra visitar famílias e comunidades eclesiais. Porque sabiam que a questão vocacional é vital. Também hoje somos convidados a ter atitudes de abertura, apoio, ânimo e entusiasmo vocacional. Para criar uma cultura vocacional é importante cuidar da vocação pessoal, da vida interior, das relações fraternas e promover a cultura do encontro, principalmente do encontro com os jovens que frequentam nossas casas, atividades e paróquias.

Não deixemos que se “apague” a chama do ânimo vocacional!

Pe. Gilberto Bertolini

Delegado.