Abrigo Especial João Paulo II


A história do Abrigo João Paulo II tem início no dia 20 de fevereiro de 1942 no município de Marituba - PA aonde localizava-se uma grande colônia para hansenianos, onde pessoas saudáveis eram proibidas de entrar. Devido ao tratamento escasso na época, as pessoas que contraiam a hanseníase eram exiladas e destinadas as colônias como a cidade de Marituba onde, infelizmente, aguardam a vinda da irmã morte.

Em 1975, o engenheiro Marcelo Candia encantou-se pela realidade do "leprosário de Marituba" assim denominado. Ele ficou profundamente impressionado pelo triste espetáculo proporcionado pelos mais de mil acometidos pela hanseníase, sem nenhuma assistência, sem paz, sem moral, amontoados em locais insanos, infestados por ratos e insetos. Decidiu morar no meio deles. Construiu a Casa de Oração Nossa Senhora da Paz, localizada bem no centro da Comunidade e junto com Padre Mário Gerlin iniciaram um trabalho para formar uma comunidade de fé e de serviço aos irmãos sofredores.

Com os avanços no campo da saúde e da assistência médica, em 1978, a nova política de saúde proponha que portador de hanseníase não deveria mais ser segregado e sim tratado e reinserido no seu meio social. Com essa nova proposta, as colônias em todo o Brasil deveriam ser transformadas em hospital geral e asilos. No Brasil, o serviço Nacional de Dermatologia Sanitária seguiu essa linha e começou a incentivar a inserção de pessoas saudáveis nos abrigos para hansenianos, para favorecer o nascimento de comunidades que vivessem normalmente, sem medo da hanseníase. Assim, Marituba aumentava sua população.

Em 1978, Dom Aristides Pirovano acolheu o convite de Marcelo Candia para ir ao seu encontro no "leprosário brasileiro de Marituba", contribuindo para transformá-lo numa cidade que hoje conta com uma população de 122.916 habitantes. Este assume a assistência espiritual da Colônia de Marituba, o qual continua mesmo após a morte de Marcelo Candia.. Em 1980, o Papa João Paulo II visitou o Brasil, vindo também à Marituba. Quando viu Marcelo Candia que empurrava uma cadeira de rodas de um hanseniano que não tinha nem as mãos e nem os pés, foi ao seu encontro, abraçou-o e o beijou na fronte.

Em 1983, a colônia de Marituba, no Pará passa por esse processo de transformação, surgindo então o Abrigo João Paulo II, cuja finalidade era prestar total assistência médica e social aos pacientes oriundos da colônia, os quais não tinham condições de serem reinseridos, devido ao grau de incapacidade física e abandono familiar. Os demais pacientes que ainda podiam trabalhar e tinham bom relacionamento familiar deviam ser reinseridos ao convívio da sociedade. Pouco a pouco no Abrigo Especial, as velhas barracas deram luar a sólidas casas de alvenaria. Atividades começaram a ser desenvolvidas, o que tornou o ambiente mais sadio e limpo.

A pedido de D. Aristides, a Congregação dos Pobres Servos da Divina Providência fundada por D. Calábria, assume as atividades sócio-pastorais de Marituba. A obra do Pe. Calábria foi se inserindo gradualmente nesse contexto de atividade vivazes e dinâmicas. Em dezembro de 1989, a Congregação enviou para Marituba o Ir. José Finotti. Era a semente, lançada naquela terra na esperança de que crescesse e se desenvolvesse. O dia 25 de fevereiro de 1991 é a data oficial do nascimento desta nova atividade da Congregação no Abrigo de Marituba.

No dia 14 de novembro de 1994 foi assinado um convênio entre o Governo do Estado do Pará e a Obra do Pe. Calábria, referente à direção administrativa de aproximadamente quinze pavilhões, reestruturado em 14 de novembro de 1997 que acolhiam separadamente homens e mulheres hansenianos.