Obra Calabriana, motivo de grande privilégio e grande responsabilidade!


Falar da Obra Calabriana, é recordar a experiência vivida por São João Calábria e registrada historicamente na data de 26 de novembro de 1907, com a acolhida dos primeiros meninos na casa conhecida “dos bons meninos”. Essa história que teve seus primeiros sinais em 1897, com o fato da acolhida da pequena criança que encontrou dormida no portão de sua casa envolta entre trapos e jornais e desde então foi um dos motivos que levou o coração de Calábria a estar sempre inquieto pela realidade dos jovens e crianças de sua época. OBRA que teve seu nascimento por meio de outras pessoas que junto de São João Calábria se sensibilizaram pela causa dos mais abandonados e que posteriormente se tornaram religiosos e religiosas e que hoje é expressão de continuidade por meio das três Congregações: Pobres Servos da Divina Providência, Pobres Servas da Divina Providência e Missionárias dos Pobres; que mesmo na justa autonomia, vivem o grande Dom da comunhão do carisma, da espiritualidade e da missão especifica de BUSCAR O REINO DE DEUS COM O COMPROMISSO DE AVIVAR A FÉ E CONFIANÇA EM DEUS, PAI DE TODOS OS HOMENS, ATRAVÉS DO ABANDONO TOTAL NAS MÃOS DA DIVINA PROVIDÊNCIA.

E assim valorizo a apresentação do papel dos leigos, que desde os primórdios da fundação da OBRA exerceram grande atuação como, por exemplo: IRMÃOS EXTERNOS que por meio de suas promessas vivem o compromisso de na vida testemunhar o cuidado de Deus Pai e providente. O grande número de grupos de EX-ALUNOS e LEIGOS CALABRIANOS que se encontram pra testemunhar os caminhos da Providencia em suas vidas e aprofundar a Espiritualidade Calabriana. Os COLABORADORES que nas suas capacidades profissionais e atuação nas unidades de saúde e ensino executam seus trabalhos cultivando os princípios da espiritualidade Calabriana.

Essa OBRA com tantos rostos e expressões que manifestam o carisma se chama docemente de FAMÍLIA CALABRIANA que tem um fio invisível, mas real que une a todos.

Considerando alguns escritos do Padre Calábria, podemos entender que ser família Calabriana não é apenas uma “junção de pessoas”. Para pertencer a essa OBRA é fundamental compreender que ela nasceu do coração de Jesus. Padre Calábria nunca se considerou o fundador. Ele sentia de ser apenas um “casante”, ou seja, um responsável por cuidar dela. Sempre se considerou “Zero e miséria”!

“O fundador afirma repetidamente e com força que a Obra não é dos homens, mas de Deus; nascida e crescida no coração de Cristo, fundada pelo Senhor, que é o Dono absoluto. Ele quis, Ele a conserva, a guia e acompanha com sua extraordinária Providência ” (const. 6).

O primeiro motivo que apresenta para o chamado de estar e pertencer a esta Obra é a santificação pessoal, “antes de tudo olhar-nos como irmãos e como tais ajudar-nos na vida espiritual”. Eis porque “a oração é a nossa primeira atividade” (const.66).

Essas são expressões que constituem a essência da Obra e do Carisma Calabriano. Religiosos e leigos são chamados a proclamar Deus Pai presente e providente e demonstrá-lo vivendo a fraternidade, os valores do Evangelho, um grande amor pela Igreja e expressando isso no serviço preferencial aos mais pobres do qual o Senhor espera nosso amor total, disponibilidade e serviço.

Com isso chegamos na razão de ser da Obra Calabriana e nos maravilhamos com o entusiasmo de crescer e nos dispor neste caminho.

Para que esse anseio e bom propósito não se perca em nosso coração, padre Calábria chama a atenção: “pertencer a essa Obra é grande graça, mas também grande responsabilidade” (carta v, dia 2 de fevereiro de 1933). Qualifica a grandeza e beleza desta Obra nos seus escritos com muitos nomes:

Padre Calábria escreve que a Obra é grande, indivisível, que está em nossas mãos, que ela é como arca da aliança, é modelo, luz e salvação para tantas almas, é como um trem, é como um navio, é um campo onde Deus semeia, é uma máquina que precisa de revisão, é uma cidade de refúgio.

E por essa grandeza de ser, é um privilegio pertencer a essa OBRA. Por ela, Padre Calábria colocava-se de joelhos para dizer que o mal capaz de destruí-la se chama pecado. Se não formos fieis a Deus e nossa especial vocação, Ele pode passa-la a outros. E essa seria a ruína, a morte de nossa alma e da Obra. (Carta III, 19 DE MARÇO 1933).

“O remédio para esses males é retornar as fontes do Evangelho, sendo Evangelhos vivos. Retornar para os sacramentos e permitir que em nossa conduta floresçam atitudes e sinais dos quais “todos os que se aproximarem de nós fiquem edificados com a nossa descrição, com o espírito de doçura, de caridade, de gentilezas, de respeito, de compaixão, do qual devemos estar repletos por ser o espírito de nosso Senhor Jesus Cristo”. (Carta V, de 2 de fevereiro 1933).

Assim, amigos benfeitores do COV e Leigos Calabrianos, recordemos o mês de novembro, o aniversário da Obra de 109 anos de existência no mundo. Que esse momento celebrativo faça crescer em nós o compromisso de rezar agradecendo a Deus Pai por tantas pessoas que chamou para essa família Calabriana e que deram sua vida e testemunho do quanto Deus é Pai e cuida de nós!

Junto com os religiosos (as) espalhados pelo mundo inteiro expressamos nossa gratidão a vocês que se dedicam a dar algo de si pela causa do Reino de Deus e que caminham conosco na oração e partilham suas experiências de fé e abandono nas mãos da Divina Providência.

Que esta Obra não pare por falta de operários. Juntos seguimos as pegadas de nosso pai fundador São João Calábria, para responder ao Convite de Jesus. Somos uma grande família!

Ir. Juliana Vidal, Pobre Serva da Divina Providência.